Educação em pauta

Imagem: A consciência da crise cultural e ecológica precisa traduzir-se em novos hábitos.

por Renato de Faria

Professor do Colégio Santo Agostinho

14/06/2018

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A consciência da crise cultural e ecológica precisa traduzir-se em novos hábitos.

A tomada de consciência da situação em que nos encontramos é mais do que uma atitude cognitiva ou intelectual: é um imperativo ético. O conhecimento nos apresenta a crise, mas é a ação ética que nos proporciona superá-la.

É lógico que toda reflexão ética passa, necessariamente, pelo campo do conhecimento, mas esse conhecimento deve ser uma travessia que nos leva de algum lugar a outro e, por que não, ao outro? O pensamento é indispensável, contudo não se limita a apenas reconhecer, recuperar algo que aparentemente foi perdido.

Pensar é, sobretudo, experimentar o incômodo do desconhecido e construir algo que nos possibilite enfrentar o problema.

É comum escutar por aí que vivemos em uma época de crise, tanto no campo cultural quanto no campo ambiental. Valores que se chocam, instituições sólidas que se desmancham, estilos de vida fundamentados no consumo e no descarte que se tornam cada vez mais insustentáveis. Essa conjuntura nos alerta para a necessidade de alinharmos um entendimento sobre a crise.

Para os gregos, krísis significava julgamento e compreendia todo o processo de acusação e defesa, culminando na sentença do réu. Conforme esse entendimento, a crise é um momento em que pontos de vista contrários se encontram e entram em conflito. Por isso, estar em crise não deve significar desespero, mas, sim, um convite, uma oportunidade, para suspender os juízos e refazer o percurso.

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O que buscamos no percurso da vida? O que desejamos para nós e para as próximas gerações? A construção de uma sociedade depende efetivamente de como vamos responder essas perguntas.

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Buscamos uma vida feliz, uma vida completa. Essa vida que almejamos passa, necessariamente, por uma sociedade culturalmente rica e ambientalmente sustentável. Ao contrário do que ensina o nosso tempo, a felicidade não é um produto, muito menos se encontra neles. Seguindo a trilha do filósofo Aristóteles, podemos pensar a felicidade como uma atividade construída através de hábitos. Isso mesmo, a felicidade é atividade, ação diária, cotidiana, no desenvolvimento de hábitos que revelam plenamente a excelência em Ser Humano.

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ECOPONTO: uma das ações do Colégio para envolver pais e alunos em prol de uma vida mais sustentável.


Nesse sentido, a educação tem o papel fundamental, na medida em que assume um compromisso ético de construir uma maneira de compreender o mundo. Ela própria não é tarefa de um dia, mas atividade que se constrói e se renova diariamente, fundamentada na valorização das potencialidades inscritas em cada sujeito e, principalmente, fomentando hábitos capazes de construir uma comunidade humana mais tolerante e harmônica. Uma sociedade em que esses valores não sejam apenas palavras escritas, mas assumam corpo através de nossas ações, através de hábitos mais virtuosos.