Educação em pauta

Imagem: Formar cidadãos exige cultivar valores e reflexões.

por Fernanda Moreira

Supervisora Pedagógica do Colégio Santo Agostinho

17/07/2018

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Formar cidadãos exige cultivar valores e reflexões.

Quatro pilares considerados como as bases e os fundamentos da educação pela Comissão Internacional sobre Educação para o Século XXI, da UNESCO, representam um avanço nos projetos e práticas pedagógicas que se destinam a educar crianças e jovens para a vida. São eles: aprender a conhecer (essa aprendizagem tem em vista a aquisição de saberes, o domínio dos próprios instrumentos do conhecimento e pretende que cada um aprenda a compreender o mundo que o rodeia, pois esse entendimento é necessário para se viver dignamente); aprender a fazer (aprendizagem para agir sobre o meio que nos envolve); aprender a viver juntos (aprendizagem para desenvolver a cooperação com os outros em todas as atividades humanas); e aprender a ser (aprendizagem que integra todos os conceitos anteriores).

Essas aprendizagens fundamentam a formação do aluno para o exercício pleno da cidadania, a construção de valores, a análise da realidade social, política e econômica, o desenvolvimento de suas potencialidades intelectuais e para sua inserção atuante no contexto social.

Considerando a Declaração Universal dos Direitos Humanos, o Brasil ainda está distante da aplicação prática de elementos que possam garantir vida com dignidade às crianças e jovens. O país não conseguiu superar dois de vários desafios: a desigualdade social e o problema da distribuição de renda.

É nesse contexto que o Projeto Educativo Agostiniano, com foco no papel do educador e no protagonismo juvenil, contempla a pessoa em suas mais diversas dimensões, entre elas, a pessoal, a comunitária, a crítico-transformadora, a ecológico-cósmica e a transcendente, em diálogo permanente com a realidade social e com atenção voltada aos desafios do mundo atual.

Formar cidadãos exige cultivar valores e reflexões
Projeto Educativo Agostiniano: foco nas diversas dimensões humanas.


O educador agostiniano tem como metas colaborar na formação de crianças e jovens, criando condições para que eles assumam o protagonismo da sua própria educação, assim como colaborar no desenvolvimento e na construção de valores entendidos como manifestações sociais no cotidiano de cada jovem, de cada criança.

Para realizar essa tarefa, além de necessariamente ser um profissional competente e bem informado em sua área de atuação, o educador agostiniano deve evidenciar, por meio do seu comportamento e atitudes, valores fundamentais para a implementação de uma educação de qualidade, comprometida com a formação de cidadãos agentes de sua história e construtores de uma sociedade mais ética e igualitária.

Formar cidadãos no contexto do projeto educativo agostiniano exigiu de cada educador uma mudança: a docência, antes associada à transmissão de conhecimento, foi ressignificada e passou a se dar no campo de novas práticas e vivências que expressam o desenvolvimento de competências e habilidades.

Sabemos da importância de o aluno acessar criticamente o acervo cultural produzido ao longo da história da humanidade e de intervir no contexto social. Intervir para quê? Por quê? A resposta está na análise da sociedade em que vivemos. O conhecimento será utilizado para perpetuar situações excludentes ou para fazer uma ruptura com essas situações, tendo em vista maior dignidade de vida para todos? É um desafio mudar a maneira de ver, entender e agir. É um desafio mudar a caminhada das pessoas e seus feitos, em um mundo tão materializado.

A cidadania se constrói no cotidiano do contexto social em que estamos inseridos. É a própria construção do mundo, tendo como princípios básicos os direitos humanos, um novo padrão de convivência social, o reconhecimento e o respeito às diferenças individuais, o combate ao preconceito, a participação na vida em comunidade e o potencial de transformação que está em cada um de nós.

É papel da escola incentivar o protagonismo juvenil, envolvendo crianças e jovens em discussões e na busca de soluções para problemas do cotidiano. Tudo se inicia com a formação da identidade e da autoestima e consequente aprendizagem para a convivência e inserção na sociedade.