Educação em pauta

Imagem: Quase metade das tarefas feitas por pessoas hoje poderão ser automatizadas.

por Lucas Rodrigues

Professor do Colégio Santo Agostinho

20/08/2018

Compartilhar

Quase metade das tarefas feitas por pessoas hoje poderão ser automatizadas.

A humanidade está, cada vez mais, comprometida com a revolução tecnológica, em um processo que remonta ao advento do método científico, no século XVII, passando pelas Revoluções Industriais nos séculos XVIII e XIX, até chegar ao surgimento dos computadores, na década de 1970. Esse desenvolvimento gradativo propiciou o nascimento da Inteligência Artificial, que se tornou uma realidade no século XXI.

Com a invasão crescente das máquinas na sociedade, estima-se que, nas próximas décadas, quase metade das tarefas executadas hoje por pessoas poderão ser automatizadas. A substituição de humanos por robôs em tarefas específicas deve diminuir os gastos dos contratantes, bem como os erros nas análises de relatórios e dados. Além disso, a automatização deve contribuir para o aumento da velocidade com que tais tarefas são realizadas.

Esse cenário provoca grande preocupação quanto ao mercado de trabalho que as próximas gerações terão. Atualmente, as dificuldades para se conseguir colocação profissional já são imensas e faltam vagas. Por isso, a iminência de termos a concorrência dos robôs gera muita preocupação.

Todavia, o passado nos apresenta exemplos de esperança. Apesar de a máquina de costura ter sido criada no final do século XVI, existem, até hoje, alfaiates muito talentosos, que são considerados indispensáveis por seus clientes. No século XX, se, por um lado, a indústria automobilística extinguiu muitos empregos, por outro, criou tantos outros devido às novas demandas e necessidades.

Diante disso, a História mostra que o ser humano sempre conseguiu ser indispensável e protagonista na sociedade, por meio de sua capacidade de raciocinar, criar e transformar a realidade. Contudo, mesmo que ele seja o responsável pela progressiva automatização, consequência do avanço intelectual, a vida só se completa e vale a pena efetivamente, quando também existem sentimentos e amor, isto é, a razão, sem a afetividade, reduziria o ser humano ao robô.


Quase metade das tarefas feitas por pessoas poderão ser automatizadas
A capacidade de raciocinar, criar e transformar a realidade torna o ser humano indispensável e protagonista na sociedade.

 

Dessa forma, para que se consiga lidar com a aguda inovação, um dos principais pilares sociais – a educação – deve zelar, na mesma medida, tanto pelos valores da área do saber (no sentido de se preparar o jovem para adquirir as habilidades que a sociedade requer), quanto pelos valores ditos humanos (no sentido de não se perder de vista a importância das relações pessoais, da cooperação, caridade, amizade, família, enfim, do amor).

O Colégio Santo Agostinho trabalha há décadas em prol do fortalecimento da completude humana, ao se preocupar, igualmente, com a formação intelectual, sentimental e moral. A integração dessas perspectivas faz com que o indivíduo perceba que a vida não se reduz a uma rotina mecânica, pautada pela busca de dinheiro e pelas questões restritas ao âmbito material. Somente a educação sustentada pelo amor é capaz de formar o cidadão para que, cada vez mais, ele esteja apto a lidar com a vida automatizada, sem que a essência humana seja perdida. Afinal, se o pressuposto “Penso, logo existo”, de René Descartes, pode ser usado tanto pelos humanos como pelos robôs, Agostinho já coloca uma barreira entre os dois seres com o lema: “Ama e faz o que quiseres”.